Entrevista com Udo Gattenlöhner, director executivo da Global Nature Fund

 

O Fundo de Natureza Global (GNF, Global Nature Fund) é uma organização sem fins lucrativos, privada, independente e funciona como uma fundação internacional para a protecção da natureza e do ambiente. Registada na Alemanha, a organização tem escritórios no Lago de Constança, Bonn e Berlim, na Alemanha.

 

De forma a conhecermos mais sobre o projecto e as pessoas que estão envolvidas a realizá-lo, metemo-nos no nosso carro e conduzimos até ao Lago de Constança, que fica apenas a uma hora de distância dos nossos escritórios em Zurique, para nos encontrarmos com o director executivo Udo Gattenlöhner.

 

Udo Gattenlöhner, pode dizer-nos como surgiu a ideia para criar uma ONG (Organização Não-Governamental, sem fins lucrativos, criadas por pessoas que trabalham voluntariamente em defesa de uma causa) com estas metas como GNF?

O GNF foi fundado em 1998 como uma espécie de "organização-irmã" internacional para a ONG ambiental alemã Deutsche Umwelthilfe (Acção Ambiental Alemã).

Naquela época, o GNF teve a oportunidade de lançar uma rede global com o apoio financeiro do sector privado, ou seja, de empresas como a Unilever, a Lufthansa e a Daimler.

 

Como foi a sua vida profissional anteriormente? Sempre trabalhou na realidade das ONG? Qual era a sua motivação interior?

Já durante os dias de escola, era fascinado pela natureza e tinha o desejo de trabalhar no sector do ambiente. Passei o meu serviço civil para uma ONG ambiental e tinha escolhido a minha educação (Ciências Agrícolas) de acordo com este objectivo. Depois da licenciatura na Universidade, felizmente tive a oportunidade de trabalhar para uma ONG.

 

O mundo actual apresenta infelizmente muitas oportunidades de melhoria no âmbito humano e da natureza. Como decidem quais projectos que devem ser abraçados pela sua organização?

A competência central do GNF encontra-se no campo dos ecossistemas hídricos e da cooperação internacional. A orientação principal é fornecida pelos nossos estatutos que definem a vontade dos fundadores. No entanto, há um certo oportunismo positivo que desempenha um papel na selecção dos projectos, de tal forma que só se pode seleccionar e realizar projectos que são financeiramente viáveis.

 

Quantos funcionários têm que trabalham directamente nos projectos? Há também pessoas locais que apoiem ou prossigam o trabalho quando se for embora?

O GNF tem 14 funcionários permanentes. O networking está no nosso DNA - por assim dizer - e isso faz parte da nossa filosofia de realizar todos os nossos projectos em estreita colaboração com organizações parceiras locais, construindo sobre as suas experiências e conhecimentos.

 

O seu projecto Living Lakes tem um mandato das Nações Unidas. O que significa esta mudança para o projecto?

É uma grande honra e um "incentivo moral" para o GNF e todos os parceiros da Living Lakes que a rede tenha sido reconhecida como um "Projecto Oficial da Década da Educação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável", de 2005 a 2014. Como a educação ambiental desempenha um papel importante em quase todas as nossas actividades, esta designação significa muito para nós e ajudou a promover os nossos projectos.

 

O que é que têm de tão especial os projectos de água potável na África?

Apesar do “Relatório de água para a um mundo sustentável de 2015” da UNESCO afirmar que o progresso tem sido bom em fornecer um melhor acesso à água potável, 748 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água para consumo. Especialmente as regiões rurais e pobres na África Subsaariana enfrentam vários problemas de água potável e saneamento, uma vez que não são economicamente atractivos para os investimentos das empresas governamentais ou privadas de água, devido ao baixo rendimento, fraca educação e infra-estruturas precárias.

Como o acesso limitado à água potável deve ser visto como a principal causa de problemas de saúde e pobreza para milhões de pessoas nestas regiões de África, o GNF tenta concentrar-se nestas regiões e comunidades mais vulneráveis.